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e-Museu da Química

last update: 16/02/2004

Universidade de Caxias do Sul - UCS

Departamento de Física e Química DEFQ

Caxias do Sul - RS - Brasil

A imagem por raio x mostrou que sua

perna está com um osso fraturado?

 O tratamento de câncer maligno por meio

de Radioterapia, está causando

náuseas, vômitos e ardor na região afetada ?
Já soube que os paleontólogos e arqueólogos

 costumam datar a idade dos fósseis

por meio do método do Carbono-14?

O que tudo isso têm em comum?

A Radioatividade !!

 

O NAEQ inaugura  a seção "e-Museu da Química" com a história de Madame Curie, como era conhecida Marie Curie, a precursora da Radioatividade, fenômeno esse que deu início à era da Física Atômica e Nuclear.

 

          Marya Sklodowka Curie, vencedora do 11° Prêmio Nobel de Química, nasceu em 7 de setembro de 1867, em Varsóvia, Polônia, tendo sobrevivido numa época na qual a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, no século XVIII, ganhara novo impulso com a utilização do aço, petróleo e eletricidade. Ao mesmo tempo, o avanço científico progredia para novas dimensões um tanto impressionantes: eram as correntes do Cientificismo, dos ideais do Positivismo de Auguste Comte, do socialismo de K. Marx e F. Engels e do Evolucionismo de Charles Darwin tomando conta da Europa e que, aliadas às conturbadas manifestações de ordem sócio-político-econômica, culminaria, mais tarde, em 1914, na explosão da 1ª Guerra Mundial.

          Pouco depois de a Academia de Ciências da França ter-lhe
negado uma cadeira como membro simplesmente por ser mulher, Madame Curie ganhou seu prêmio em 10 de dezembro de 1911 por suas contribuições relevantes sobre a radioatividade quando da publicação, em 1910, do "Tratado de Radioatividade", passando a ser a única pessoa do mundo (até então) a ganhá-lo duas vezes (a 1ª foi em 1903, com o Nobel de Física pelas descobertas, em parceria com seu esposo Pierre Curie (1859-1906), dos elementos polônio e, especialmente, rádio; ambos dividiram metade desse prêmio com Henri Becquerel (1852-1908) ).

          Marie Curie era a caçula de cinco filhos de um professor de Física, dotada de uma memória excepcional, inteligência invulgar, voluntariosa, bonita, tenaz e, sobretudo, precoce: aos 4 anos já sabia ler e, implacavelmente,
era sempre a primeira em todas as matérias na escola.

          Para viver, trabalhou como preceptora, só indo inscrever-se na Faculdade de Ciências da Sorbonne, em Paris, no mês de julho de 1896, aos 28 anos, ficando em 1° lugar nos exames. Lá obteve os graus de bacharel em Física e Matemática.
 

          Em novembro de 1903, obteve seu doutorado em Ciências Físicas, pela mesma universidade, por "Pesquisas de Substâncias Radioativas", onde afirmara que a uma certa quantidade de urânio corresponde uma igual intensidade de radiação e que esta última não é influenciada nem pelo estado de combinação química nem por circunstâncias externas. Noutros termos, a radiação se deve tão-somente a uma propriedade atômica do núcleo. Mas quando a radiação emitida pela pechblenda (minério de óxido de urânio) se revelou mais forte do que pudesse prever, especulou-se a existência de um novo elemento químico mais ativo que o urânio nesse mesmo minério, em quantidades infinitesimais (só para se ter uma idéia, é necessário duas toneladas de pechblenda para obter apenas um décimo de grama de rádio e que, por isso mesmo, pode-se imaginar o tamanho de trabalho árduo que o casal Curie tiveram que fazer, através de um grande número de separações por cristalização fracionada entremeadas de reações químicas), o que foi comprovado pelos mesmos.

 

          A radioatividade abriu uma corrida na Era Nuclear, com as pesquisas em Química e Física se intensificando mais nessa área, suscitando polêmicas quanto aos seus malefícios e benefícios.Trouxe maiores esperanças de tratamento para vários tipos de câncer; em Química Analítica encontra aplicações na análise por diluição isotópica e na análise por ativação com nêutrons bem como serve para a determinação de estrutura de substâncias, dentre outros usos.

          Em 1895 casou-se com Pierre Curie, cientista francês famoso principalmente por suas pesquisas no campo da Cristalografia, e dessa união nasceram duas filhas, Irene (que mais tarde também ganharia o Nobel de Química, em 1935) e Eve.

          Faleceu aos 66 anos na primavera de Paris, em 4 de julho de 1934,
aniquilada por perniciosa anemia, o mal que contraíra manejando o terrível elemento que descobrira.
 

03/05/1992

18/09/1998

Moeda com  Maria Sklodowska-Curie, 10 zlotis poloneses em 1967.

Selos dos Curie, Agência de Correio Polonesa



         
“ Se as conquistas úteis à humanidade vos comovem; se ficais pasmados diante da telegrafia elétrica, da fotografia, da anestesia, e de tantas outras descobertas; se estais orgulhosos e conscientes da parte que cabe ao vosso país na conquista dessas maravilhas, tomai interesse, eu vos conjuro, por esses recintos sagrados que chamamos de laboratórios. Façais o possível para que eles se multipliquem. Eles representam os templos do futuro, da riqueza e do bem-estar social. É por intermédio deles que a humanidade melhora e cresce. É neles que o homem aprende a ler os segredos da natureza e da harmonia universal, enquanto as obras do homem são quase sempre obras de barbárie, de fanatismo e de destruição...”
 

(Madame Curie, em seu discurso quando da inauguração do Instituto

de Radium, em Paris, julho de 1914, início da 1ª Guerra Mundial).
 

 

Por Anahi Guedes de Mello

anahi@qmc.ufsc.br

 

 e Emiliano Chemello

echemell@ucs.br

 

Para saber mais...

The Nobel Prize in Physics 1903

http://www.nobel.se/physics/laureates/1903/index.html

 

The Nobel Prize in Chemistry 1911

http://www.nobel.se/chemistry/laureates/1911/

 

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